Educação Integral: saiba o que é, sua importância e seus maiores princípios

Educação Integral é uma concepção de educação que visa ao desenvolvimento pleno dos estudantes em todas as suas dimensões.

Práticas Pedagógicas
02/01/2024
Por: Conteúdo Santillana Educacão
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Jovens reunidos estudando na sala de aula.

Educação Integral é uma concepção de educação que visa ao desenvolvimento pleno dos estudantes em todas as suas dimensões: cognitiva, afetiva, social, cultural, física e ética. Ela não se limita ao tempo e ao espaço escolar, mas envolve a articulação entre a escola, a família e a comunidade.
Esse modelo educacional reconhece a diversidade e a singularidade de cada indivíduo e busca oferecer oportunidades de aprendizagem significativas e diversificadas, que contribuam para a formação de cidadãos críticos, criativos e participativos.
Neste texto, vamos apresentar os maiores princípios do ensino integral e sua importância para a sociedade atual. Confira!

O que é Educação Integral?

Conforme apresentamos inicialmente, a Educação Integral é um conceito educacional que visa o desenvolvimento pleno dos sujeitos em todas as suas dimensões: intelectual, física, emocional, social e cultural. Essa premissa é fundamentada pelo teórico educacional Maurício L.V., que defende esse modelo de ensino para a contemporaneidade.
Ela se baseia na ideia de que a educação deve ser um projeto coletivo, compartilhado por todos os envolvidos na formação de crianças, adolescentes e jovens: famílias, educadores, gestores e comunidades locais.

A Educação Integral tem como princípios a centralidade do estudante, a aprendizagem permanente, a perspectiva inclusiva e a sustentabilidade. Seu compromisso está na formação de cidadãos responsáveis, com senso crítico e autonomia.
Ela também contribui para a promoção da equidade, ao garantir que todas as pessoas recebam acesso a formações diversificadas e diferenciadas.
De modo geral, esse modelo de educação é uma proposta contemporânea e compatível com as particularidades do século XXI. Quando se pensa naquilo que deve ser desenvolvido anualmente na escola, o que costuma aparecer em primeiro plano é o conhecimento, ou mesmo o conteúdo disciplinar, não o estudante.
Uma proposta contemporânea de Educação Integral inverte essa posição, trazendo para o centro de sua proposta o estudante, numa posição de protagonismo que contribui para nortear os conhecimentos e competências fundamentais do currículo pensado e praticado nas redes.
Nessa perspectiva, a organização curricular em áreas de conhecimento, o uso intencional das tecnologias digitais, a proposição de projetos e todas as outras práticas de ensino são como pontes para o desenvolvimento integral do estudante, não um fim em si mesmas.

Educação Integral vs Ensino em Tempo Integral

A confusão dos dois termos é bastante comum. A educação em tempo integral consiste em uma forma de ampliar a permanência dos alunos na escola.
Por outro lado, o ensino integral vai além disso, já que coloca o estudante como protagonista de sua aprendizagem, validando-o como sujeito multidimensional, social, competente e histórico. Ele busca promover uma educação contextualizada e integrada, que articula o que se aprende com o que se pratica.
Entretanto, os dois conceitos podem se relacionar para que a aprendizagem dos estudantes seja mais rica.
A ampliação da jornada escolar pode aumentar as oportunidades de aprendizagem dos estudantes, mas, se isso acontecer sem a integração curricular e a formação de professores e equipes de gestão, as escolas correm o risco de implementar currículos que promovem mais aulas com os mesmos objetivos e metodologias de ensino.
Para desenvolver práticas e parâmetros mais alinhados com o desenvolvimento integral, o que se espera é encontrar, em políticas públicas e escolas de Educação Integral, um currículo integrado.

Qual é o objetivo do ensino integral?

Crianças participando de atividades na sala de aula.

O objetivo do ensino integral é propiciar uma formação completa, que prepare os alunos para o exercício da cidadania e para o mundo do trabalho, por meio de um currículo diversificado e integrado, que contemple tanto os conhecimentos disciplinares quanto às atividades complementares, como arte, esporte, cultura e línguas estrangeiras.

Também busca reduzir as desigualdades educacionais e sociais, oferecendo aos estudantes mais acesso a bens culturais e serviços públicos, bem como mais acompanhamento pedagógico e orientação profissional.

Além disso, o ensino integral pretende estimular a participação da comunidade escolar na gestão democrática e na construção de um Projeto Político-Pedagógico (PPP) que atenda às necessidades e aos interesses dos alunos e do território onde a escola está inserida.

O ensino em tempo integral está previsto no Plano Nacional de Educação (PNE) como uma meta a ser alcançada até 2024, abrangendo pelo menos 50% das escolas públicas e 25% dos estudantes.

Para isso, existem programas de fomento do governo federal, como o Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI) — refere-se a todo o Ensino Básico —, que repassam recursos financeiros e apoio técnico às secretarias estaduais e municipais de educação que aderirem à proposta.

Esse modelo educacional também pode ser implementado pelos próprios sistemas de ensino, de acordo com suas especificidades e demandas locais.

Qual a importância da Educação Integral?

Sua importância surge em um contexto de necessidade de melhoria da qualidade de ensino no país, com uma proposta de formação multidisciplinar integralizada. Depois de compreender sua definição, vemos que o ensino integral se expande para além do ambiente escolar, atingindo a comunidade localizada no entorno da instituição educacional.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, a escolarização de jovens entre 6 a 14 anos representava 99,7%. Em termos numéricos, essa taxa indica um percentual quase universal. Porém, esses dados não indicavam qualidade de ensino.

Isso podia ser comprovado a partir do desempenho dos alunos brasileiros em diversas avaliações internacionais, como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Na edição de 2018, o Brasil apresentou baixa proficiência em Leitura, Matemática e Ciências, comparado às outras 78 nações que participaram do estudo.

Conforme dados do Ministério da Educação (MEC), 68,1% dos estudantes brasileiros na faixa dos 15 anos não tinham conhecimento básico de Matemática, 55% em Ciências e 50% em Leitura.

Para reverter esse quadro, o MEC passou a implementar o Mais Educação. O programa incentiva a ampliação da jornada escolar em escolas públicas para, ao menos, 7 horas diárias.

Nesse tempo, os alunos experimentam atividades eletivas, nas áreas de acompanhamento pedagógico, educação ambiental, esporte e lazer; direitos humanos em educação; cultura e artes; cultura digital; promoção da saúde; comunicação e uso de mídias; investigação no campo das ciências da natureza e educação econômica.

Quais são os princípios da Educação Integral?

Criança na aula de ciências.

Para que a Educação Integral funcione com eficiência, ela se apoia em alguns eixos principais: centralidade do estudante, aprendizagem permanente, inclusão, gestão democrática e territorialidade. Veja abaixo o que cada um deles representa.

Centralidade do estudante

Quando falamos em centralidade, significa planejar o processo educativo com o foco no aluno. Desse modo, todo o conteúdo programático, bem como as atividades e os espaços de ensino devem ser construídos a partir dos interesses e necessidades dos estudantes.

O ensino integral reconhece a singularidade de cada aluno; algo que deve ser considerado em toda a sua trajetória formativa. Afinal, a perspectiva dos jovens não só possibilitam uma aprendizagem mais participativa, mas são importantes ferramentas de transformações significativas.

De todo modo, crianças e adolescentes precisam ser valorizados como sujeitos de direitos e deveres. Precisam ter um espaço seguro para se expressarem e se fazerem ouvir. O protagonismo do estudante é o ponto de partida dessa metodologia.

Aprendizagem permanente

Na aprendizagem permanente, compreendemos que o processo educativo se dá ao longo de toda a vida, em diferentes espaços e tempos, e que os sujeitos são agentes ativos de sua própria formação; sempre em busca de novos conhecimentos, habilidades, atitudes e valores, que lhe permitam se adaptar às mudanças do mundo e contribuir para a sua transformação.

Nesse processo, há a integração entre os saberes formais, informais e não formais, bem como entre as diferentes áreas do conhecimento e as diversas linguagens. O aprendizado contínuo também implica em uma postura crítica, reflexiva, criativa e autônoma diante dos desafios da realidade.

Para aplicá-la de forma ativa, os educadores precisam considerar as 10 competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que orientam o currículo da Educação Básica:

  1. Conhecimento;
  2. Pensamento científico, crítico e criativo;
  3. Repertório cultural;
  4. Comunicação;
  5. Cultura digital;
  6. Trabalho e projeto de vida;
  7. Argumentação;
  8. Autoconhecimento e autocuidado;
  9. Empatia e cooperação;
  10. Responsabilidade e cidadania.

Essas competências devem ser desenvolvidas de forma integrada e transversal em todos os componentes curriculares, ao longo de toda a trajetória escolar.

Inclusão

Uma educação inclusiva deve reconhecer e valorizar a diversidade de todos os estudantes, independentemente de suas características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem.

É necessário oferecer igualdade de oportunidades e condições de acesso à educação para todos, respeitando as singularidades e potencialidades de cada um.

Portanto, a escola deve ser um espaço de convivência e acolhimento para todos os alunos, com ou sem deficiência, com transtornos globais de desenvolvimento ou transtorno do espectro autista, com altas habilidades ou superdotação, ou com qualquer outra diferença de gênero, etnia, classe social ou religião.

Gestão democrática

Esse princípio se baseia na participação efetiva dos vários segmentos da comunidade escolar – famílias, professores, estudantes, funcionários e membros da comunidade – em todos os aspectos da organização da escola.

A gestão democrática implica na construção coletiva do PPP da escola, na definição das prioridades e metas educacionais, na alocação dos recursos financeiros, na avaliação dos resultados e na solução dos problemas.

Ela também envolve a criação de instâncias deliberativas, como os conselhos escolares ou equivalentes, que garantam a representatividade e a transparência nas decisões.
A gestão democrática é um direito da sociedade e um dever do poder público, conforme previsto na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

Territorialidade

Por fim, mas não menos relevante, temos a territorialidade, que significa reconhecer o local em que vivemos como um espaço educativo, que oferece oportunidades de aprendizagem e interação com a diversidade e a cultura local.

Ela implica em ampliar os espaços e os tempos educativos para além da escola, envolvendo outros atores e instituições que possam contribuir para a formação integral dos estudantes.

Quais as vantagens e desvantagens?

Jovens reunidos no pátio de uma instituição de ensino.

Já esclarecemos que a Educação Integral é uma proposta que visa garantir o desenvolvimento dos estudantes em todas as suas dimensões, não apenas a intelectual. Ela busca oferecer uma formação mais ampla e diversificada, que considere os interesses, as necessidades e as potencialidades de cada estudante. Nesse aspecto, algumas de suas vantagens são:

  • ampliar o tempo e os espaços de aprendizagem, possibilitando o acesso a diferentes saberes, linguagens e experiências;
  • promover a autonomia, a criatividade e o protagonismo dos estudantes, estimulando a participação ativa na construção do conhecimento;
  • favorecer o desenvolvimento de competências socioemocionais, como a cooperação, a empatia, a resiliência e a autoestima;
  • fortalecer os vínculos entre a escola, a família e a comunidade, valorizando a diversidade e a cultura local;
  • contribuir para a melhoria da qualidade da educação e para a redução das desigualdades educacionais.

No entanto, o ensino integral também apresenta alguns desafios, como:

  • garantir a articulação entre os diferentes tempos, espaços e agentes educativos, respeitando a singularidade de cada contexto;
  • assegurar a formação continuada dos profissionais envolvidos, tanto os docentes quanto os não docentes;
  • disponibilizar recursos materiais e financeiros adequados para a implementação e a sustentabilidade da Educação Integral;
  • envolver as famílias e as organizações sociais na elaboração e no acompanhamento do projeto político-pedagógico da escola;
  • avaliar os processos e os resultados de modo formativo e participativo.

Quais os exemplos de práticas de Educação Integral?

Existem diversos exemplos de práticas que podem ser implementadas nas escolas e nas comunidades. Alguns deles são:

  • ampliação da jornada escolar para oferecer aos estudantes oportunidades de aprendizagem diversificadas e complementares ao currículo, como oficinas de arte, esporte, cultura, ciência, tecnologia e cidadania;
  • articulação entre os diferentes espaços educativos do território, como museus, bibliotecas, parques, centros culturais e organizações sociais, para ampliar as possibilidades de formação dos estudantes e fortalecer os vínculos comunitários;
  • valorização da diversidade e do protagonismo dos estudantes, respeitando suas identidades, interesses, potencialidades e necessidades, e estimulando sua participação ativa na construção do projeto político-pedagógico da escola e na definição das atividades educativas;
  • formação continuada dos profissionais da educação, envolvendo gestores, professores, coordenadores pedagógicos e demais funcionários da escola, para que possam desenvolver competências para atuar na perspectiva da Educação Integral e promover uma gestão democrática e participativa;
  • integração entre as diferentes áreas do conhecimento e entre os diferentes níveis de ensino, buscando uma abordagem interdisciplinar e transversal dos conteúdos curriculares e favorecendo a articulação entre a educação básica e a educação profissional.

Como a família pode contribuir nesse processo?

Jovens estudando.

A família é um dos principais agentes do Ensino Integral, pois é nela que se formam os valores, as atitudes e as habilidades dos indivíduos. A família pode contribuir nesse processo de inúmeras formas, tais como:

  • participando ativamente da vida escolar dos filhos, acompanhando o seu desempenho, dialogando com os professores e apoiando as atividades pedagógicas;
  • estimulando o desenvolvimento de competências socioemocionais, como a autoestima, a empatia, a cooperação e a resolução de conflitos;
  • proporcionando experiências culturais, artísticas, esportivas e de lazer que ampliem os horizontes e os interesses dos filhos;
  • respeitando a diversidade e a individualidade de cada membro da família, valorizando as suas potencialidades e reconhecendo as suas dificuldades;
  • criando um ambiente familiar acolhedor, seguro e afetivo, que favoreça o bem-estar físico, mental e emocional dos filhos.

Conclusão

Neste conteúdo, você aprendeu como a Educação Integral é indispensável para a formação dos estudantes brasileiros.

Sua importância está relacionada à necessidade de superar uma visão fragmentada e reducionista da educação, que se limita a transmitir conteúdos acadêmicos e a preparar os alunos para o mercado de trabalho.

O ensino integral propõe uma articulação entre os saberes escolares e os saberes da vida, valorizando as múltiplas linguagens, as diferentes formas de expressão e as diversas manifestações culturais.