O que é o Chat GPT e como ele pode usado para a Educação

Explore o impacto do ChatGPT na Educação e as implicações da Inteligência Artificial no ensino.

Inovação e Tecnologia
28/12/2023
Por: Conteúdo Santillana Educacão
Compartilhar:
Aluna com tablet na sala de aula.

O ChatGPT vem causando debates em torno de temas ligados ao uso de Inteligência Artificial, principalmente nos assuntos que tangem a Educação. Você já conhece esta novidade? Hoje, vamos explorar esta temática trazendo à tona questões que estão borbulhando no mundo da tecnologia e do ensino. 

Quando apresentamos a pergunta “O que é ChatGPT?” à plataforma de mesmo nome, a resposta que recebemos é bastante autoexplicativa: “O Chat GPT (Generative Pre-trained Transformer) é um modelo de linguagem neural que foi treinado em uma quantidade massiva de dados textuais, com o objetivo de gerar respostas coerentes e relevantes para uma ampla variedade de perguntas e instruções. Ele é capaz de entender o contexto e a semântica da linguagem humana e produzir respostas baseadas nesse entendimento”.  

Ao ler esta definição, dificilmente conseguimos identificar se o texto foi escrito por um ser humano ou por uma máquina, certo? De início, já se pode ver, na prática, o que o sistema promete: um complexo duo de hardware e software que conseguem dialogar, por meio de uma ferramenta de chat, de forma coerente e coesa. Mais do que respostas, chegamos ao momento de parecer conversar com a tecnologia, como se fossem dois curiosos discutindo um tema de interesse comum. 

Muitas pessoas podem dizer que isso não é novidade, pois, se pensarmos bem, alguns aparatos parecidos já possuem como base a inteligência artificial, isto é, máquinas que utilizam tecnologia de ponta e pensam, aprendem e resolvem problemas de forma semelhante aos seres humanos. As mais conhecidas, talvez, sejam a Alexa e a Siri, das empresas Amazon e Apple, respectivamente. Por meio de comandos de voz, podemos perguntar, por exemplo, o resumo das últimas notícias, a previsão do tempo, pedir para ligar para algum contato salvo no smartphone e abrir um aplicativo. Esses sistemas irão nos responder de forma rápida e direta, não é mesmo? 

A grande diferença entre o que já existia e o ChatGPT é a sua enorme competência em responder questões complexas, de forma fluida e natural. Isso ocorre porque este sistema foi desenvolvido como um modelo de linguagem: com base em estudos matemáticos e estatísticos, a partir de uma vasta leitura de um conjunto de dados (formado por textos online, livros, artigos acadêmicos, conversas de bate-papo) e utilizando técnicas de aprendizado profundo (como redes neurais de atenção), o sistema reconheceu padrões pelos dados e possibilitou a criação de um método para gerar textos em linguagem natural, coerente e relevante para o contexto. 

Outro ponto importante é que o ChatGPT, além de gerar respostas para as perguntas e os comandos utilizados, pode criar novas combinações de respostas, ainda não publicadas online, e, por este motivo, é chamado de generativo. Algumas questões estão sendo trazidas principalmente pelo fato de este robô estar apto para realizar uma atividade que antes era totalmente produzida, ou pelo menos mediada, pelo trabalho humano. 

Questões acerca da Inteligência Artificial 

Uma das questões que demanda reflexão é o fato de a inteligência artificial ter como base um algoritmo e não se saber quais princípios o ChatGPT irá seguir: os dados que o sistema utiliza foram retirados da produção humana, ou seja, de textos que os próprios humanos produziram, entretanto, não se sabe se a linha de resposta que ela dará para as perguntas e comandos realizados irá, ou não, reproduzir discriminação e preconceitos. 

Outro ponto bastante preocupante vai no sentido da ética e de privacidade. Os dados gerados pela ferramenta não são verificados e em vez de gerar informações confiáveis e relevantes, podem trazer desinformação e fake news, por isso a necessidade cada vez maior de instigar a análise e criticidade do conteúdo consumido, considerando verificar sua procedência e realidade. Lembramos ainda que a transparência em relação ao funcionamento da ferramenta não é 100%. Não se sabe ainda, com toda a certeza, como o ChatGPT funciona. 

No âmbito da vida em sociedade, questões sobre o bem-estar das pessoas foram trazidas: existem discussões acerca da dependência dos seres humanos em se apoiar na inteligência artificial para tomada de decisões. Discute-se também a propriedade e uso não limitado das informações online, base de dados para esta poderosa ferramenta. 

É importante saber que além do ChatGPT existem outros recursos tecnológicos que usam a IA para desenvolvimento de processos de aprendizagem, uma delas é o Khan Academy, que utiliza inteligência artificial como se fosse um tutor para ajudar o estudante de forma personalizada, isto é, atendendo as necessidades individuais de cada aluno. Outra ferramenta desenvolvida na mesma linha do ChatGPT é o Bard, do Google, que também funciona como um diálogo com a inteligência artificial, disponível no Brasil em fase de teste. 

Todas essas transformações e avanços tecnológicos profetizados principalmente por filmes e livros de ficção científica estão abalando as estruturas do mundo que conhecemos até hoje. Estas mudanças que estão ocorrendo de forma rápida e generalizada preocupam principalmente os acadêmicos e profissionais da educação, que precisam saber como lidar com essa nova forma de buscar e encontrar informações, conteúdo e principalmente da maneira que devem trabalhar com as novas gerações, que vivenciam estas novidades com facilidade e naturalidade. 

Preocupações das Escolas 

A discussão acerca do uso do ChatGPT na Educação está ocorrendo desde que a plataforma foi lançada: sua utilização deve ou não ser permitida nas instituições escolares? Trata-se de uma alternativa que deve ser incorporada para a realização de atividades, trabalhos acadêmicos e até mesmo no ciclo de desenvolvimento das aulas? 

Muitas escolas e instituições de ensino demonstram uma tendência em impedir o uso da inteligência artificial no cotidiano dos professores e estudantes. Esta postura se justifica no sentido dessas organizações estarem receosas e preocupadas com as relações de ensino-aprendizagem. A questão que está sendo refletida é como um estudante poderá aprender, se as respostas são facilmente encontradas? 

A era da internet já trouxe este dilema com o lançamento da Wikipedia e dos buscadores e a facilidade de encontrar informações disponíveis em ambientes virtuais. O receio era de o estudante utilizar-se do método “copia e cola”, sem ter de fato estudado sobre determinado assunto. Com o passar do tempo, embora um aluno pudesse ler e se informar com a ajuda da internet, as escolas e os professores foram entendendo como garantir que os trabalhos acadêmicos fossem aprofundados, podendo ter como base informações provenientes de sites e do mundo online, mas que fossem desenvolvidas e refletidas e, caso fossem utilizadas, citadas as fontes de informação usadas. 

Nesse sentido, um ponto muito relevante que deve ser debruçado pela Escola e seus profissionais é que a Educação contemporânea está se transformando e há uma distinção profunda em relação aos métodos tradicionais e conteudistas utilizados no passado. Há centenas de anos se discute o fato de a escola não ser mais aquele ambiente social em que o professor detém o conhecimento (tendo como base um conteúdo pré-estabelecido) e os estudantes seguem respondendo de forma exata, de acordo com o que o foi apresentado na sala de aula.  

Como a educação é estabelecida nos dias de hoje? 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) indica que a Educação deve ter como pilar o desenvolvimento de competências e os objetivos da educação devem estar baseados na “construção intencional de processos educativos que promovam aprendizagens sintonizadas com as necessidades, as possibilidades e os interesses dos estudantes e, também, com os desafios da sociedade contemporânea” (​​BNCC, 2018). Isto significa que os estudantes devem saber utilizar o conhecimento e os recursos disponíveis e mobilizá-los para resolver problemas da vida cotidiana de forma sábia, respeitando a vida social e comum. Sendo assim, o estudante é hoje o protagonista dos processos de ensino-aprendizagem, e o professor deve encorajar para que o desenvolvimento de competências aconteça de forma consciente, com ética e responsabilidade. 

Outro aspecto da BNCC relevante para pensarmos a educação contemporânea e sua relação com o ChatGPT é que uma das competências gerais da Educação Básica a ser trabalhada que é “Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva” (BNCC, 2018). Ou seja, as novas tecnologias, que a cada dia estão mais aprimoradas, devem ser utilizadas na educação e, portanto, o que deve ser refletido e planejado é a forma como elas devem ser trazidas. 

Pensando nesses aspectos, o ChatGPT pode ser utilizado pela escola de forma a estimular o pensamento crítico. A ferramenta pode ser acessada para incentivar a troca de informações e encorajar a troca de ideias, e posteriormente, podem ser feitas comparações e avaliações do que está sendo apresentado pelo robô. 

Diferente de uma educação em que apenas se copia um modelo, a reflexão, o pensamento e a crítica podem ser trabalhados quando a nova tecnologia for utilizada pela educação. É urgente e necessário que a escola e seus profissionais experimentem e explorem novas formas de ensinar e aprender. 

E como vai a sua relação com a Inteligência Artificial, preparado para lidar com as novidades?