Como a inteligência artificial pode colaborar em sala de aula

Aprenda como a inteligência artificial pode contribuir e ser um aliado na sala de aula, transformando o processo de ensino e aprendizagem.

Inovação e Tecnologia
29/12/2023
Por: Conteúdo Santillana Educacão
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Visão de cima da sala de aula com as mesas e alunos.

Na televisão, nas redes sociais, no almoço de domingo: trazer a inteligência artificial (IA) como pauta de discussão é algo recorrente nos dias atuais. Se digitarmos no Google “inteligência artificial”, contamos com mais de 56 milhões de resultados, um número bastante elevado (em termos de comparação, se digitarmos no mesmo buscador a expressão “sala de aula” o resultado cai para, aproximadamente, 42 milhões). Cada vez mais, o interesse sobre inteligência artificial cresce e ter conhecimento sobre esta temática é quase obrigatório para os profissionais da educação: nas salas de aula, contar com a tecnologia é fundamental para que o ensino seja cada vez melhor.   

Mas, em linhas gerais, o que é inteligência artificial? O próprio nome nos dá uma dica! A IA é um conjunto de sistemas e máquinas que operam tarefas que antes só poderiam ser realizadas por seres humanos. Muitos sistemas de IA são chamados até mesmo de robôs, visto que, por meio de dados, algoritmos e modelos, a IA aprende, melhora sua própria performance com o passar do tempo e toma decisões de forma autônoma.  

Os tipos de tarefas que a IA realiza estão cada vez mais complexos e incluem, por exemplo, processamento de linguagem natural, reconhecimento de padrões, análise de dados, resolução de problemas complexos. Essas funções e características que a IA executa permitem uma contribuição significativa para a eficiência de processos e tomadas de decisão, impactando diretamente a sociedade: funções humanas que antes poderiam ser morosas e imprecisas, hoje acontecem de forma rápida, com muita exatidão e automação. Sendo assim, a inteligência artificial pode contribuir com a gestão escolar, quanto com a otimização dos processos de ensino-aprendizagem.  

Há quem diga que as novas tecnologias, a inteligência artificial e as modernidades digitais não devem ser inseridas nas salas de aula, enxergando-as como vilãs. Entretanto, a cada dia, notamos que usar ou não a IA no ensino não será mais uma questão de escolha: ela já presente em nossas vidas de diversas formas, inclusive. 

Vamos destrinchar um pouco mais esta temática?  

Uma das grandes características da IA é o processamento e a análise de dados: é possível analisar o desempenho dos alunos, por exemplo. A partir de erros e acertos dos estudantes, IA poderá orientar o professor sobre o desenvolvimento deles, oferecendo informações que podem contribuir para que as dificuldades individuais de cada um sejam identificadas, assim como mapear os interesses e aptidões de uma turma inteira. 

Dessa forma, as práticas pedagógicas podem ser planejadas para atenderem essas necessidades, isto é, para concentrar esforços e, portanto, corroborar para que o desempenho dos estudantes seja cada vez melhor. 

Essas informações parecem ser muito interessantes, porém tudo pode ficar muito abstrato, não é mesmo? Então vamos explorar um pouco essas características e tipos de funcionalidades que a IA pode oferecer. 

Uma das particularidades da inteligência artificial é que a partir dela é possível identificar o atual momento de desenvolvimentos dos alunos e adaptar o ensino para a etapa em que estão. Assim, mesmo que façam parte de uma turma única, a IA permite que as atividades e conteúdos sejam disponibilizados de acordo com o conhecimento individual, sendo oferecidos de maneira personalizada. Por exemplo, o professor lança problemas matemáticos para a turma resolver em uma plataforma digital, os estudantes realizam a atividade e, de acordo com os erros e acertos de cada um, IA oferece um feedback praticamente instantâneo. A partir daí, a inteligência artificial disponibiliza conteúdos específicos, desenhando uma espécie de trilha de aprendizagem para cada aluno. 

Esta funcionalidade, além de ser mais precisa em relação às necessidades dos estudantes, também auxilia o professor a acompanhar o desenvolvimento de seus alunos. Por meio de relatórios, gráficos e análises profundas é possível acompanhar o ritmo, as dificuldades e as potencialidades de cada criança ou jovem, fazendo os processos de ensino-aprendizagem cada vez mais assertivos. 

É importante destacar que essa característica da IA não só permite que os conteúdos acadêmicos sejam trabalhados da melhor forma, mas, também, identifica particularidades emocionais e cognitivas dos alunos. A inteligência artificial pode avaliar o desempenho dos estudantes em propostas pedagógicas que envolvam as habilidades socioemocionais, como por exemplo, pensamento crítico, resolução de problemas, tomada de decisão, criatividade, colaboração e resiliência.  

Nesse sentido, para se aprofundar nesse âmbito, uma das possibilidades dinâmicas e que os alunos adoram é que o professor insira em seu planejamento jogos digitais ligados a conteúdos específicos. Esta estratégia pode desafiar o aluno, trazendo interesse e motivação. Entretanto, é necessário destacar que o professor deve acompanhar a performance dos estudantes, analisando as habilidades e os pontos de dificuldade de cada um.  

Demos alguns exemplos de como a inteligência artificial pode trabalhar com a captação de dados e performance dos estudantes, mas existem também algumas ferramentas de IA que podem contribuir para a formação escolar no campo das pesquisas. Um exemplo que também está sendo bastante mencionado são as plataformas de linguagem, como o ​​ChatGPT, capazes de auxiliar nos processos de pesquisa e encorajar o pensamento crítico. O ChatGPT é um modelo de linguagem que utiliza a IA para gerar a possibilidade de comunicação conversacional com seres humanos. A partir de uma caixa de texto, pode gerar respostas coerentes e relevantes para perguntas e comandos. Este tipo de tecnologia oferece a oportunidade para que os estudantes trabalhem a análise de informações: eles podem analisar se o conteúdo oferecido pela IA deve, ou não, ser utilizado para uma pesquisa, por exemplo. 

Outro exemplo interessante de IA que pode ser utilizado na escola são as plataformas de visão computacional, isto é, um campo da inteligência artificial que processa e analisa informações visuais, permitindo que as máquinas (robôs) possam interpretar imagens e vídeos. Essa funcionalidade pode auxiliar nas propostas pedagógicas em que os alunos possam exercer a criatividade e o trabalho colaborativo. 

Por fim, uma das funcionalidades que a inteligência artificial possibilita é a redução dos espaços físicos. Hoje, é possível visitar outros países, paisagens naturais, museus, salas de aulas à distância. Para facilitar uma viagem sem deslocamento, sistemas de tradução podem ser facilmente utilizados para facilitar o acesso a esses ambientes, assim como permitir o acesso a textos que antes não eram possíveis de serem compreendidos.  

Pode-se notar que o trabalho do professor é fundamental: para oferecer os melhores processos de ensino-aprendizagens e que sejam significativos, ele deve ter um trabalho de curadoria, isto é, selecionar o que é adequado e faz sentido para o seu grupo de alunos. É necessário que ele explore e utilize esses novos recursos afim de já estar familiarizado com as novas possibilidades e, assim, saber o que oferecer em sala de aula, como tarefa de casa, como suporte adicional etc. 

O professor também precisa compreender que o seu papel passou de ser um transmissor de informações, para um mediador das aprendizagens. Assim, ele poderá contribuir para que os estudantes e os seus interesses sejam o foco, colocando-os como protagonistas dos seus aprendizados: ele deve motivá-los e engajá-los para que utilizem os conhecimentos que estão adquirindo para utilizá-los de forma prática.  

Estamos em uma Era em que as transformações acontecem com rapidez, a cada instante novas possibilidades são apresentadas. Cabe a nós conseguirmos estarmos atentos e ativos para acompanharmos essas mudanças e aproveitá-las para que contribuam para a formação desses seres humanos em pleno desenvolvimento, indivíduos da nova geração que farão o futuro.